Ariel Pires de Almeida

I

In Uncategorized on 23/08/2009 at 15:38

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É-me muito comum, apesar de minha alegria no bem viver, profetizar o futuro como o presente de forma indiferente e melancólica. Vivíamos tempos burros, pensaria. Fôra ontem, num momento de profunda crítica conceitual de minha própria pessoa a nível de pensador reelaborativo que cheguei: Não conluio com o tempo, concluo. Não o meu. O jovem, o artista, o intelectual são os capacitores do reconhecimento capital de ambas potencialidades e limitações do tempo. Os concentrados nas primeiras são utopistas; nas segundas, pessimistas.

Entretanto ou porquanto, reconhecer o tempo é saborear da mistura que o determina. Mix de emoções e sentimentos, razões e sobrerazões, superrazões. O tempo é o infinito finitivado nos ponteiros do relógio. É o circular irrepetível. Qual a mola, talvez.

Tendemos a reter em nossa memória política algo que contruído com conhecimento e acontecimentos daquele momento no qual passamos pelo que a de mais importante: o desligar umbilical, a resignação na sobrevivência do pai em seu amor à mãe.

Eram os anos 90…

Collor caiu, Real subiu; 111 foram mortos, outros milhões em tantas centenas outras Repúblicas; tentou-se paz, em muitos se conseguiu, na maioria, não; a paz de sangue…

Tive minha primeira década nos anos 90. Dos 3 aos 13. Bar-mitzvei no ano 2000 em meio ao pânico do bug e à depressão alviverde perante Riquelme.

Aqueles foram tempos burros. Criei o hábito de ler no tempo das torres. Aos 14. Já no XXI.

Infelizmente, a arrogância adolescente faz acreditar ser sempre o único a saber, conhecer, ler, entender. E, ao invés de sentir-se sozinho nessa constatação, congratula-se qual vitorioso.

Parece, de certa forma, que sempre acreditei, por minha experiência a nível de leitura e conhecimento durante a infância, que uma criança invariavelmente não adquire o hábito e a curiosidade do conhecimento passado de geração em geração. Não se interessa realmente por religião, moral, família, poder ou trabalho. Talvez estivesse certo, correspondendo à minha geração ou mesmo à minha geração localizada na posição intermediária do ranking social.

Talvez essa confissão seja digna de uma leve digressão…

O cinema surge como ferramenta reprodutora do visual. O sonoro é acrobatado de forma externa nas reproduções em salas lotadas por 15 centavos. Uma orquestra, ou quem sabe, um modesto piano – muitas vezes do próprio projetor – colocavam em cena o audio do futuro composto ‘audio-visual’.

Neste momento, o elemento visual ainda se interliga diretamente com a arcaica e indiferente tecnologia de comunicação social, a escrita. Ao fundirem audio e visual, o apoio semântico do Verbo torna-se irrelevante. Pensemos nos americanos que não se conformam com as legendas que sufocam a experiência mágica do universo Metro Goldwin Meyer – alemães judeus, por acaso.

O Verbo é a base da cultura. O que diferenciou Cro Magnon de Neanderthalis fora exatamente o poder da fala. O primeiro aprimorou-se, extinguiu seu semelhante mudo e concretizou a prole Racional. O passo seguinte – considerado pelos pouco informados o começo da História – seria uma forma de imortalizar a Razão. Daí tal e qual tecnologia simples e complexa: a pena, o papiro, o papel, a letra, a forma, o número – tudo que faz da humanidade o que foi e é há pelo menos oito mil anos.

A leitura e a correspondente escrita é um contato com a energia racional. Com o passado e com o que poderia…

Com o clímax desenvolvimentista da indústria fonográfica e filmográfica, com a infindável vitória do capitalismo liberal, com a derrocada do Conceito – formulado e reconstruído desde a Revolução Ilustrada. Isso em 1991.

Dez anos depois caíram as torres, Bill Gates se elevava ao máximo, o sistema ig democratizava o acesso lento e modesto à internet, o telefone celular difundiu-se a todos, a televisão perdia seu rumo em sensacionalismo barato e nudez performática. A sociedade do espetáculo consolidara-se.

  1. Adorei a crítica cronológica. E também gostei de saber que você lia muito desde pequeno. ( ^^ )

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