Ariel Pires de Almeida

A MEDÍODRIDADE TOTALIZADA (III)

In Uncategorized on 10/12/2009 at 03:38

A classe média é o único estrato social que se vê abortado da sociedade. Não possui dinheiro para se proteger nem tampouco relações comunitárias de auto proteção. Para ela, o primeiro representa corrupção, o segundo bandidagem. Ambos sanados pelo poder reforçado da força policial estatal. É nos bairros de classe média que a polícia sempre busca rondar por intimidação e demonstração de serviço. Os bairros da burguesia fazem sua própria vigiada segurança, enquanto as favelas também têm sua maneira de levar as coisas. Ali o Estado só aparece para chacina não justiça.

A única classe que de fato legitima a justiça estatal é a que necessita dela. A burguesia é o Estado. Não precisa e nem realmente se interessa com ele desde que facilite seus meandros financeiros internacionais. Mas, mesmo que a alta sociedade tenha alguma – e, claro, tem – finalidade com o Estado, não se legitima através de sua base burguesa. A esfera política que realmente possui e manipula o poder imprevisivelmente é o judiciário. É o componente político que não possui arestas. Nesse sentido, a base ideológica nos discursos políticos só poderia ser a única que depende e confia no sistema judiciário. O único que se encontra na estrutura social – o que excluiria os verdadeiros desfavorecidos do campo -, mas que não possui qualquer tipo de justiça. Necessita da lenta, corrupta e incoerente justiça brasileira.

Para quem, por acaso, José Luiz Datena grita pela justiça, polícia, Estado? Abílio Diniz que é a justiça? Zé do PCC – inimigo íntimo do caro apresentador de Brasil Urgente!? Não há justiça nos extremos da sociedade. Não a do Estado. É lá que se encontra a realidade nua da resolução de problemas cotidianos.

O totalitarismo surge no extremo dessa situação. É a quebra de contrato por parte da classe média a partir da conscientização de sua posição desprivilegiada. A conscientização, por acaso, é atributo da classe média, apesar da consciência ser burguesa. A consciência operária não deixa de ser burguesa por ser fruto direto desta como diferenciadora e opositora. Ora, numa realidade de consciente urbanização – êxodo rural – a única classe inconscientemente desfavorecida seria a que se manteve como valorizadora de uma renda já valorada, a terra. A contemporaneidade desconscientizou a classe operária, enquanto a modernidade inconscientizou a camponesa. A consciência rural no século XXI é mera utopia. Assemelha-se a piadas de mal-gosto qual o desenvolvimento sustentável. Sustentável ao Capital, apenas.

Talvez o problema não seja tão conceitual quanto parece, ou mesmo muito mais que se assemelha. A transformação é a finalidade de um trabalho de base que se desenvolve pelo confronto intersticial objetivado na luta de classes. Talvez o equívoco seja o direcionamento da transformação através da luta pelo poder instituído e o abandono da disputa pelo poder contitutivo, horizontal, popular, básico.

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