Ariel Pires de Almeida

Antigos e Pós Modernos (III)

In Uncategorized on 12/07/2010 at 20:47

A conteporaneidade é inaugurada com a reincidência de uma velha discussão, o debate antigos/x/modernos. Qual ideal de vida? De morte? Redenção ou inspiração?

            Sem delongar em termos ou valores, paremos neste Rousseau que tanto nos implica com dizeres de método remetentes a seres mitológicos e estruturas arcaizantes. Semente do socialismo utópico ao fascismo genocida. Reflitamos por Rousseau. Este se enquadra em modelos antigos. Esparta é o mote de sua longevidade primal do selvagem de bom coração, o puro guerreiro de Adolf Hitler. Esparta é qual Roma em seus primordios, bela, dura e forte. Mergulhada no negror da lama, pincelada no vermelho das veias em armaduras semblantes douradas. O resultado, a bandeira tricolor germânica, oposição veloz e rude ao ideal efeminado da cultura francófona.

            A degeneração romana, fruto da degeneração racial proveniente da efeminização dos costumes e valores morais, é comparável à degenerecência da corte de Versalhes prestes a sucumbir em sua própria contradição.

Pensemos nos cinco momentos do filme em que a realidade externa é exposta à família cortesã. Primeiro para falar na invasão austríaca à aliada Polônia, enquanto Maria experimenta roupas. A grande preocupação neste momento é não decepcionar seus semelhantes e obter seu cachorro austríaco de volta. O segundo diz respeito à ajuda aos revolucionários americanos contra a tradicional rival Grã Bretanha. Neste momento, a heroína já é rainha e a resposta real é o aumento dos impostos para patrocinar a invectiva. O terceiro é o de condecoração dos americanos, momento em que a heroína toma contato com aquele Outro com o qual ela não deve se miscigenar como foi com o francês, mas que, ao mesmo tempo, é-lha muito mais familiar que os cortesãos de Versalhes. É quando surge o espelho real, aquele que afirma a beleza da bruxa em face a outras mortais. O sueco.

Finalmente, o quarto momento é quando afirma a fome que devasta a pobreza nacional. A resposta demarca o clímax de mudança em Maria Antonietta – com batom preto e olhar desdenhoso replica: “que comam brioches”. Nesse momento a delfina – em sua busca pelo cavalo de fogo, representação de seu Conceito parcialmente austríaco e francês, antigo e pós moderno – transforma-se na rainha hedonista, a gastadeira.

            A morte por fim realiza o choque contraditório da transformação real. A mãe faz a heroína voltar para a Áustria a se reencontrar com o Outro pretérito.

O quinto e último momento é a revelação introdutória e final do herói trágico, o povo parisiense. Este é o cavalo de fogo. A consumação do casamento da rainha da França com o povo revolucionário se dará na guilhotina, modo mais franco e limpo de genocídio até o advento da câmera de gás.

Sua apresentação é teatralizada como toda a narrativa. Três vidros são quebrados, sinalizando os gongos que chamam o público para o início da farsa dramatúrgica. No terceiro, qual um palco, a varanda de Versalhes é aberta e nosso herói é apresentado, o famélico povo de Paris. A consumação do casamento perduraria até suas bodas de ouro em 1848 e a ascenção de mais uma farsa, a do Capital. O impulso criador-destrutivo do homem moderno é liberado por Napoeão III e Haussman na reconstrução da adorável e espetacular Paris, verdadeira OBRA.

 

 

POR FIM

 

A conclusão de Sofia Copola é bucólica, esperançosa e trágica, mistura de tragédia e farsa. A primeira se consumaria no estupro casual de nossa heroína, consumada na guilhotina. A segunda pela não apresentação de nosso anti herói famélico. Nenhum dos dois de fato se revela.

            O último suspiro da heroína é acompanhado das palavras “i´m saying goodbye”, algo parecido com nosso “terei saudades”. O aceno bucólico que precipita a não revelada destruição fica para o segundo ato da novela romântico burguesa da Revolução Francesa. O internacionalismo aristocrático, provinciano e bucólico é rompido face o nacionalismo sans cullote cosmopolita, xenófobo, e urbano. Paradoxal, em resumo.

Vale um comentário acerca da parte do audio de nossa película visual. Músicas modernas se entremeiam no arcaico mundo de Versalhes. O teatro se contemporiza transformando a rainha real, na burguesia yuppie recém enriquecida. Reconhece o Outro antes em seu cachorro de estimação – representação máxima de seu passado austríaco – que em sua realidade fantástica.

A pós modernidade, enfatizada na complexa figura socialite de Maria Antonietta, é o espelho dos espelhos, a revelação auto referente, infinita no jogo de imagens, mas que parte de si para o Outro em direção oposta a si novamente.

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

HARVEY, D. Condição Pós-Moderna: Uma Pesquisa sobre As Origens da Mudança Cultural. Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1996.

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