Ariel Pires de Almeida

ARTE

In Uncategorized on 12/07/2010 at 20:53

Acho que é o momento de pensar a grande obra dessa majestosa construção hitlerista. Analisar o nazismo é procurar suas falhas, os desvios que encaminharam aos erros. Os erros que terminaram em mortes. Entretanto, o já exposto revela uma única constatação feita por quase todos burocratas assassinos discípulos de Himmler: não havia erro. Tudo parecia conforme o previsto com exceção dos rumos da guerra. Quem imaginaria que a luta na Rússia terminaria em fracasso em meio ao inverno? Para o Fuhrer, as batalhas durariam no máximo quatro meses. Não estavam prontos para o que estava por vir. Talvez a capacidade intelectual de Hitler de fato se limitasse a meados do XIX, perdendo de vista os acenos napoleônicos para a óbvia derrota em solo moscovita.

            Mas ele estava com pressa. Queria acabar com a guerra logo para se concentrar em sua verdadeira vocação, a arte. Junto desta, seu complemento engrandecido, a arquitetura. Analisando de forma brusca porém aprofundada, é possível constatar que o personagem principal da elaborada trama nacional socialista é justamente o menos lembrado pela História. A maquete do museu de Linz, cidade natal de Hitler, acompanha a narrativa de Peter Cohen de forma singular. A primeira metade do documentário é a preparação para a apresentação dessa heroína. Representa o máximo da potencialidade criadora da mente do Fuhrer, seu maior sonho, sua grande obra.

            A ideia era transformar a cidade austríaca no principal centro de cultura europeu com acervo monumental escolhido pessoalmente por Hitler. Tanto as anexações de territórios quanto a perseguição a judeus acabam tendo esse mesmo viés motivacional. Nas Exibições da Grande Arte Alemã, Hitler comprava centenas de obras de valor artístico deveras duvidoso. Entretanto, a invasão da França, Bélgica, Áustria possibilitou a incorporação dos acervos de judeus confiscados pela SS. A Áustria deu o gosto especial de possibilitar a construção do tal museu.

            A questão é que a maquete também será o último personagem concluído por Cohen. Ao lado dela, o grande plano urbanístico de reconstrução da Grande Berlim. Diz-se que Hitler refletiu muito se destruiria Paris quando de sua conquista. Ao pensar, decidiu que a capital do Reich seria muito mais vistosa quando pronta – nos anos 50 – que a pequena capital francesa, não sendo necessário tal ato desproporcional.

            A mesma pena que desenha projetos de avenidas, palácios, centros de comícios e igrejas partidárias, esboça guetos, campos de concentração, extermínio e trabalho forçado. O claro e o escuro se fundem nesse cinza negro que é o desenrolar da história nazista. O potencial criador e destruidor se completam na criação do novo homem. E se chocam também.

            Dentre os personagens dessa história temos as vítimas em maior número. De difícil cálculo é sua soma, mas tende-se a subtraí-la nas cifras das dezenas de milhões. A dificuldade reside no fato que os agentes passivos do Nacional Socialismo serem dois: o Corpo e o resto vitimizado. Entretanto, a fronteira hierárquica entre ambos era de fácil transposição. Caso um soldado fosse ferido e deformado, passava ao status de degenerado.

A conclusão da derrota fora similar àquela praticada pelos antigos samurais, o harakiri modernizado com pistolas. A louvação da morte como caminho para beleza só poderia resultar nisso caso o triunfo não prolongasse. Se a Alemanha fadará à feiúra e doença, antes que ela se auto aniquile por todo. E assim fizeram os altos comandos partidários.

 

MORTE

O filme aborda o nazismo a partir de duas premissas. Uma linguística, relacionada à estética, quando compreendemos a lógica propagandística do extermínio. A segunda é funcional e burocrática, isso é, a análise dos agentes, meio passivos meio ativos, do processo genocida. Os personagens são: o Fuhrer, como principal coadjuvante, o bandido; os arquitetos e médicos, os oportunistas ao lado do grande chefe; os mocinhos que mal aparecem, as forças aliadas e os figurantes, vítimas e agentes do sistema aniquilatório. O centro de tudo, o museu de Linz, a obra máxima do potencial Nacional Socialista em busca de exprimir a vitória de seu modo de vida.

            Será que já vimos essa ópera antes? Ou depois?

            A segunda guerra mundial nos legou dois tipos de Holocausto: o nuclear americano e o alemão. Qual é a marca de cada um? Qual permanece vivo até hoje. Se refletirmos, veremos que o Holocausto nazista proporcionou uma série de medidas e análises para a não repetição do grotesco episódio. Para o primeiro, porém, o legado foi o medo da sobrevida do que possivelmente se repetirá. É difícil imaginarmos qualquer governo hoje em pé que repetiria os atos do Nacional Socialismo. Mas o regime norte americano é o mesmo. Os partidos iguais. A possibilidade, futura.

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