Ariel Pires de Almeida

Modern idade(ismos) (II)

In Uncategorized on 12/07/2010 at 20:45

Modernidade é frequentar o espaço da aventura, ambição, ganho fácil e decerto cordial, não necessariamente legal. Acerca disso, nota-se o caráter pragmático e eficiente dos desvencilhamentos de crises econômicas em países como Brasil ou Índia. Talvez o calor ajude na fundição das relações sociais, soldados nos âmbitos mercadológicos, circulado em vias fluviais, terrestres e aéreas. O palco do teatro desenvolvimentista. A modernidade une a humanidade, unidade paradoxal, indelével, insolúvel. Redemoinho de perpétua destruição e renovação. Insegurança no caos totalizante, na implacável centrífuga sectarizadora, separatista. O centro unificador poderia somente ser o “caráter essencial do acidental (…) contradi[tório a partir da] experiência racional de ontem” (Paul Klee).

“Things fall appart”, T. W. Yeats

O projeto da modernidade se idealiza em XVIII, com os ilustrados. Abraço da ideia de progresso e ruptura com a história esposada pela modernidade. “o estudo próprio da humanidade é o homem” (A. Pope). O XX, entretanto deita por terra o otimismo progressista, abrindo fenda no solo com abalos nucleares e abismos de barbaridade calculada. Aflora do concreto a contradição dialética do esclarecimento (Adorno e Horkheimer). Emancipação humana transfigurada na busca da opressão higiênca e longeva em nome da libertação. Liberdade da e proteção contra a luta de classes.

A lógica iluminista segue o método da dominação e opressão, guiada ideologicamente em face à natureza. A revolta da natureza, em âmbito pós contemporâneo tem como única perspectiva a revolta contra a natureza humana, contra o poder opressor da razão abstrata, matemática e genocida, contra a razão puramente experimental da cultura e personalidade, arte e/para educação.

Rousseau afirmou que a humanidade será forçada à liberdade. Hegel diria, então, agrilhoada no consumo e trabalho desvencilhado da tradição. Marx, presa nos calabouços úmidos da concentração dos meios de produção e monopolizador daqueles de subsistência. Os reprodutores da moda e gostos sociais. Bacon reproduz o ideal platônico ao precisar a Nova Atlântida, reino altivo e distante do cérebro da sociedade burguesa. Sabedoria de elite, masculina, mas de difusão democrática e liberal. O triunfo da racionalidade proposital-instrumental que não leva à realização concreta da liberdade universal, mas à criação de uma jaula de ferro burocrática e racional (Weber).

Nietzche completaria nossa imersão no mundo crítico da realidade modernista com a ideia de “destruição criativa”, mitologizada na figura de Dionísio – cuja extensão virtual e sedutora só poderiam ser as bacantes. A questão é a formação de um mundo temporal de industrialização, ancourado num vir-a-ser, processo destruidor da unidade, devorador do universo ilusório da individualização. Fausto é a representação máxima desse herói auto destrutivo que ataca mitos religiosos, valores tradicionais e modos de vida costumeiros. Constrói o admirável mundo novo a partir das cinzas do antigo, qual Hitler buscaria na vascilante ideia de destruir Paris ou a própria Berlim. Seu afã é pelo domínio do natural e naturalmente humano. A conclusão, horror.

A oposição efêmero/eterno evindencia o conflito inevitavelmente mundial, o maior evento da história criativa da humanidade capitalista (p. 27). O artista se transfigura herói (Maria Antonieta); sua tela, a sociedade; seu pincel, a pinça do médico e, claro, seu bisturi. A tinta, sangue.

Rousseau substitui a máxima “penso, logo existo” por “sinto, logo existo”. Opera uma revolução no obituário metodológico desde os clássicos humanistas. Lembramos daquele czar que depois de derrotar Napoleão faz construir verdadeira ópera militar de entoação ao vitorioso império russo. O fim de tal monarca imperioso é a loucura, como daquele Jorge inglês. Para este último, a conclusão fora a emersão da figura do médico como o baluarte abstrato acima de título e progenitura. O primeiro, posterior em tempo, anterior em desenvolvimento mercadológico – mesmo assim, afrancesado – terminou como naquela sonata de Debussy. Um solitário homem em direção ao esquecimento. Roupas de dormir, pés descalços. A fria, vasta e solitária desertificação branca. Sua queda é por flocos, cristais lacrimegantes diante do horror do desfolheamento outonal.

De um lado a razão genocida, de outro, a paixão suicida…

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