Ariel Pires de Almeida

evotar 2

In Uncategorized on 16/05/2011 at 23:09

2037. A paz se mostraria curta e dura. O conflito que muito já aguardavam de fato se fazia em preces para seu princípio. Alex aproveitou a calmaria antes da tormenta. Com sorte, veria passar ao longe com suas nuvens carregadas. Estava em Uruguaiana, fronteira tríplice, Uruguai, Chile e Paraguai. Preparava-se para seguir tomando seu café e arrumando a magrela, chamava-a Helena e considerava-a sua cativa e esposa. Talvez, Menelau a buscasse.

            Lia as notícias. Havia se comprometido, a cada dois meses ou um, em ler os periódicos de três situações políticas diversas. Era cinco de junho de 2037, nove da manhã. Fazia muito frio. Acorrentou as rodas da bike para aguentar o gelo e seguiu refletindo o globo. Novamente, Kiev e Varsóvia – aliada prussiana – eram notícias. Grejnov e Gluntsky, respectivos chefes de Estado haviam batido boca em plenário. A questão parecia ser da passagem do Mar Negro ao asiático. O Adriático há tempos havia se fechado. Era importante o Grão Ducado manter-se firme em sua oposição estratégica. Era o mais poderoso, ao lado da Grã Bretanha. Possuía em mãos a chave mestra para o Leste. Assim como ingleses possuíam ao Oeste e chineses ao mundo.

            Cento e vinte anos depois, parecia que a Revolução eclodiria novamente ao Leste. Clévix, por tão, surgiu. Era franco, do Norte, fugido das invasões nórdicas. Juntou-se a um amigo inglês que por muito vivera em China, Trevor Alex. Não confundam os nomes. O herói é estórico. Outro, Histórico. Nenhum, estóico. Foi um movimento rápido.

            Desta vez, os neo-bolcheviques queriam a guerra. A população em geral também. O vazio de poder, dado pelas conversações com Gluntsky deram a oportunidade. Grejnov voltaria sem nada saber. Entrando no Palácio, seria fortificado. Nunca mais o veriam. Tampouco os filhos…

            Eis que surgem Glasnost e seu irmão Perestroika, nascidos em 1987, gêmeos. Dizem que o primeiro salvou o segundo em um acidente nos Urais em 1997. Ou seria o contrário? A História Oral desmente os periódicos locais e vice e versa. De ambos, cabe mais os últimos anos do presente capítulo.

            Volta ao herói. Estava em Rio Gallegos quando do alento revolucionário. Parou e estudou. Foram dois meses de reflexão e produção manuscrita. Parte perdeu-se no caminho. Levi encontrou e publicou com seu nome. Alex não se importava. Se fosse a maneira de democratizar sua mente, por que não?

            Passou a virada de ano em Ushuaia, cruzando a antiga fronteira chilena. Faziam 30 graus negativos e dormia em uma barraca. Não tinha de que reclamar. Ao menos, aqui não era escrachado, nem temia por sua vida. Ficaria até junho de 2038 por lá se atualizando. De lá seguiu a Valdivia e Santiago. Foram três semanas de pedalagem.

            Naquele ano, Glasnost, o transparente, qual Abel, mortalizou o jovem Perestroika, o aberto. Tomou conta do processo. Alex já se encontrava em Calama quando do ocorrido.

            Foi apenas em Tiwanaco, capital do Império, soube a notícia. Nas ruínas, transformadas em Shopping, Alex parou, lendo a chamadas e tweets. Bestializado, foi a La Paz. A altitude dificultava a pressa. Mas, chegado a El Alto, a descida acalmou. A cidade estava diferente desde a última, em 2010. Fora com a primeira namorada Helena. Era bonita, a cidade digo. Ambas, reforço. Modernizara, mantendo o estóico de longa duração. El Alto tornara-se importante entorno militarizado. Era sinistro passar.

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