Ariel Pires de Almeida

Lemos, Renato – A alternativa

In Uncategorized on 26/07/2011 at 22:48

republicana e o fim da monarquia, in: Grinberg, Keila e Salles, Ricardo (orgs.)O Brasil Imperial. RJ,
Civilização Brasileiro, 2009, vol. 3, 401-444

            A questão do autor é o
desenvolvimento do republicanismo, como base ao federalismo oposicionista do
Império, em conformação de uma alternativa ao poder Bragança. O ano chave é
1870. Interessante é a lembrança das atitudes já anti-comunistas no seio
político dominante, apesar da inexistência de uma classe operária. Mas, o ponto
chave é o fato de não haver uma classe específica que conduz os interesses
republicanos, além da relevância do papel das forças armadas.

Portanto, é a partir desta não
disposição revolucionária se assentará um movimento golpista, baseado na
indisposição imperial para com os assuntos relativos em especial à escravidão e
ao federalismo.

O ‘sentido’ histórico do surgimento
do republicanismo em Manifesto nesta década é a superação das antigas
estruturas coloniais. Importante também é salientar a relação com a política
econômica de valorização do café que passa por ciclos de superprodução e a
estabilização da ordem republicana oligárquica nos termos da ‘política dos
governadores’.

A acumulação de capital no setor
agroexportador, dinamizado na cafeicultura e consolidado na independência
política traz a primeira experiência de utilização dos recursos autonomamente
pela nação e Estado. A cafeicultura se divide dentre produtores escravocratas
do Vale do Paraíba e utilizadores de mão de obra assalariada do Oeste Paulista.
Este último suplantaria o primeiro em 1890.

Finalmente, a questão do tráfico
africano que, com sua supressão desviaria remessas de capitais para setores
legitimamente produtivos. A questão, para Lemos, é que seu desenvolvimento
seguiu o caminho da superação dos moldes exclusivamente agroexportadores do
Estado. A agricultura não mais seria o único campo de sério ou vultoso
investimento. Por além, cabe ressaltar a entrada maciça de capital
internacional, proveniente em especial de Londres para negócios com bancos,
ferrovias e navegação.

O problema é que o poder político
parecia não assentar os novos grupos de interesse que surgiam neste processo
vigoroso de mudanças. Este era assentado primariamente na grande propriedade
rural e na força de trabalho escravo organizados nos Partido Liberal e
Conservador, mantidos em ordem pelo poder Moderador. As desigualdades
acentuaram-se. Enquanto a riqueza provinha do Sul, a aliança se fazia com o
Norte, por onde se desloca a base de governo. Eis que surge a importância
inevitável da Província de São Paulo.

É a Guerra do Paraguai que resume o
que desfecharia com a assinatura de 1888, a lei Áurea. O conflito fora a linha
divisória que separa o apogeu da crise e o advento do radicalismo republicano e
abolicionista, em especial nas forças armadas regressadas – recheadas de
escravos recém-libertos. O empreendimento intelectual envolveu os próprios
críticos do regime, com destaque a Joaquim Nabuco e ao positivista Benjamin
Constant. Encaminha-se a redação do Manifesto Republicano.

A realidade para Lemos era que os
republicanos, em verdade, assumiriam um caráter deveras oportunista, em
especial no tocante à escravidão. A necessidade de apoio aos fazendeiros
paulistas era notória. A ideia era que a própria monarquia se resolvesse com o
escravismo para poderem disfrutar dos espólios e butins dos descontentes tanto
com a morosidade da abolição quanto da abolição em si, com suas práticas indenizatórias.

A questão era a perspectiva
contra-revolucionária da ação abolicionista, no sentido de assegurar a
manutenção da ordem e do progresso. Daí o gradualismo e as indenizações. O
espectro do haitianismo e da guerra civil norte americana rondavam os
corredores das Assembleias Legislativas e Conselho de estado. Para os cariocas
a questão se resumia no controle e na ordem. Havia, entretanto os defensores da
vertente revolucionária, identificados com o jacobinismo francês.

Finalmente, a ação dos militares na
política desferiu o golpe final que seria concluído no 15 de setembro. A
questão militar, ao lado do abolicionismo, da famosa querela de Christie e na
discordância religiosa forma os marcos no caminho golpista à República
Oligárquica.

Benjamin Constant, Sena Madureira,
Deodoro da Fonseca foram os artífices da vitória, alijados no apoio do e ao
Partido Republicano. O potencial explosivo da conjuntura do momento marcava a
ausência de uma direção revolucionária e emergia o aspecto essencialmente conservador
da liderança republicana militar.

Por fim, a república não
transformaria as bases de dependência externa de nosso país. Assim como não
modificaria a submissão dos escravos libertos, mas implantaria a tão desejada
reforma federalista na ‘política dos governadores’.

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